Lesões Ligamentares do Tornozelo: sintomas, causas e tratamento

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"Torci o tornozelo" é uma das frases mais comuns nos consultórios de ortopedia — e também uma das mais perigosas de subestimar. Nem toda entorse é igual: por trás de um tornozelo que incha e dói pode haver desde um estiramento leve até uma ruptura ligamentar que, sem tratamento adequado, evolui para instabilidade crônica.

Neste artigo, explico o que são as lesões ligamentares do tornozelo, como identificá-las e quando o tratamento é conservador ou cirúrgico.

O que são as lesões ligamentares do tornozelo

Os ligamentos são estruturas que conectam os ossos entre si e dão estabilidade à articulação. No tornozelo, o grupo mais afetado em entorses é o ligamento lateral, formado por três feixes na parte externa da articulação.

Quando o pé gira de forma brusca para dentro — o mecanismo clássico da entorse — esses ligamentos podem sofrer desde um estiramento até uma ruptura parcial ou completa.

Os graus da lesão ligamentar

As lesões costumam ser classificadas em três graus:

Grau I — Estiramento leve. Dor e inchaço discretos, sem instabilidade da articulação.

Grau II — Ruptura parcial. Dor moderada a intensa, inchaço mais evidente, hematoma e certo grau de instabilidade ao caminhar.

Grau III — Ruptura completa. Dor intensa, inchaço significativo, hematoma extenso e instabilidade importante da articulação.

O grau da lesão é o que direciona o tipo de tratamento — por isso a avaliação clínica, muitas vezes com exame de imagem, é essencial logo após o trauma.

Entorse aguda x instabilidade crônica

Uma entorse é o evento agudo — o momento do trauma. Quando essa lesão não é tratada adequadamente, ou quando o paciente sofre entorses repetidas no mesmo tornozelo, pode se desenvolver a instabilidade crônica: uma sensação recorrente de que o tornozelo "falseia" ou "não segura" durante atividades do dia a dia ou esportivas.

Sintomas que merecem atenção

  • Dor na lateral do tornozelo após uma torção
  • Inchaço que aparece rapidamente
  • Hematoma (roxidão) nas horas seguintes
  • Dificuldade ou dor para apoiar o pé no chão
  • Sensação de instabilidade ou "tornozelo fraco" mesmo semanas depois do trauma

Se a dor e o inchaço não melhoram nos primeiros dias, ou se o tornozelo continua "falhando" mesmo após o período inicial de recuperação, vale procurar avaliação especializada.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa com o exame físico, avaliando pontos de dor, inchaço e testes específicos de estabilidade ligamentar. Exames de imagem, como ressonância magnética, costumam ser solicitados quando há suspeita de ruptura mais significativa ou quando os sintomas persistem além do esperado para uma entorse simples.

Quando o tratamento é conservador

A maior parte das lesões ligamentares do tornozelo — inclusive muitas de grau II — responde bem ao tratamento conservador, que pode incluir:

  • Imobilização ou órtese (tornozeleira), conforme o grau da lesão
  • Fisioterapia focada em propriocepção e fortalecimento
  • Progressão controlada de carga e retorno às atividades

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia costuma ser considerada em casos de instabilidade crônica que não respondeu ao tratamento conservador bem conduzido, ou em rupturas completas associadas a outras lesões da articulação. Mesmo nesses casos, a decisão é sempre pesada com cautela — cirurgia é uma ferramenta a mais, não a primeira opção quando existe alternativa.

Se o seu tornozelo ainda dói, incha ou "falseia" depois de uma entorse, vale uma avaliação especializada antes que o problema evolua para instabilidade crônica.

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